A pequena alegria no Clash

A expectativa para o primeiro show do Little Joy em São Paulo na quarta-feira (28/01) era alta. Os ingressos se esgotaram em questão de horas quando foram colocados a venda. A demanda era tão grande que mais dois shows na capital paulista foram agendados.
Ao contrário do que havia ocorrido em outros lugares, como na Inglaterra em que o show da banda contou com pouco mais de sessenta pessoas, o Clash Club estava completamente lotado. Por volta das 23h, a banda de abertura, o Cidadão Instigado, iniciou a primeira apresentação da noite. Tocaram cerca 40 minutos para um público já ansioso.
Esse mesmo público que explodiu quando Amarante, Moretti e Shapiro subiram no palco. Começaram com “Play The Part”. “E aí, São Paulo?” perguntou Moretti, desempenhando uma função que não estava familiarizado nos Strokes.
Em seguida, tocaram “Next Time Around”, “How To Hang A Wahrol” e “No One’s Better Sake”.
A reação do público, apesar de não tão catártica quanto nas apresentações dos Los Hermanos, foi muito positiva. A grande maioria das pessoas cantava junto e se entusiasmava com a performance do trio (que na realidade era bem maior com a banda de apoio).
Após a familiarização com o público, Amarante apresentou a cantora Binki Shapiro que entoou “Unattainable”. E, ao vivo, a loira, que estava parecendo uma diva do cinema dos anos 60, demonstrou ter uma voz impecável. Cantou a música de forma idêntica à gravação do CD.
Voltando para os vocais, o hermano mandou “Shoulder To Shoulder”. Ao final da canção, era evidente em seu rosto a satisfação com o clima do show. Tanto, que soltou um “É muito bom estar de volta, puta que o pariu!”.
A seguir, tocaram “With Strangers” e o ponto alto da primeira parte do show, “Keep In Mind”. Talvez por ser a música que mais destoe do clima sessentista-californiano-ensolarado do disco e ser a mais próxima da sonoridade dos Strokes e Los Hermanos, talvez pela animação da banda que já estava explodindo nessa hora, teve-se um momento em que a interação banda-público teve o seu auge, com as pessoas pulando alucinadamente.
Continuando, teve começo a parte que o Little Joy tocou as músicas que não estavam no seu álbum de estreia. “Walking Back To Hapiness” de Helen Shapiro, “This Time Tomorrow” dos Kinks e uma música nova foram as escolhidas.
A fina sintonia entre os membros da banda também era evidente. Entre uma música e outro, o público gritava “Amarante, Amarante”, que pedia pra gritarem “Fabrizio, Fabrizio”, que fazia graça enquanto ouvia seu nome. Finalizando a primeira parte do show, escolheram “Don’t Watch Me Dancing”, com um coro de todas as pessoas que estavam no palco.
Após uma breve saída, Rodrigo retornou sozinho e dedilhando os primeiros acordes de “Evaporar”, que foi cantada por ele em companhia com as 700 pessoas que lotavam o Clash. Encerrando a noite, o grupo inteiro tocou “Brand New Start”.
Depois de pouco mais de uma hora de show, a sensação que ficou da apresentação do Little Joy é que a música feita de forma despretensiosa, honesta e sincera pode dar muito certo. Ainda que não seja o principal projeto de Amarante e Moretti, a banda tem um potencial muito grande na medida em que liberta os dois dos pressupostos com que trabalham nos Hermanos e nos Strokes, possibilitando que suas criatividades sejam estimuladas de novas maneiras.

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Autor: Kalil

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