O álbum só está sendo lançado agora, mas assim como grande parte dos lançamentos recentes, já vazou na internet há um tempo, já foi disponibilizado em streaming, já colocaram no Youtube, ou seja, só não ouviu quem não quis, não se interessou ou – eita preula – não conhece o Wilco. A banda de Jeff Tweedy é sem dúvidas uma das mais influentes da década de 90, apesar de não ser tão conhecida por todos. Quando Tweedy resolveu desfazer o Uncle Tupelo e criou o Wilco, solidficou o já cunhado termo alt. country e neofolk, que hoje parece ser uma constante lá no lado de cima do globo e que ganhou representante aqui com Mallu Magalhães, principalmente..
Ao longo de sua carreira, a banda lançou 7 álbuns de estúdio. O primeiro A.M, herdou diretamente as características da banda anterior de Jeff. No Being There a banda lança um álbum duplo repleto de bons momentos, porém peca no excesso de músicas que nem sempre são coesas, no entanto Being There já começa a mostrar algumas características marcantes da banda, como as linhas melódicas e a caracterização do vocal. Em Sumerteeth o Wilco apresenta um excelente álbum multicolorido, divertido e trágico que colocou a banda entre as grandes. Depois disso Jeff Tweedy resolveu entrar de vez para a história da música com o fodástico Yankee Hotel Foxtrot. Sim, fodástico. O álbum tem todos os ingredientes de um grande: letras sensacionais e profundas, melodias penetrantes, experimentalismos, um toque de shoegaze, os ruídos modernos, assim como o grande hit lacônico – Jesus Etc. Era a consagração.
Depois de YHF o Wilco lançou o não menos fodástico A Ghost is Born, repleto de vicissitudes, mas com os mesmos toques que caracterizaram o anterior, elevados a um nível maior. Neste álbum, o instrumental caótico, em alguns momentos seriais e meio kraut (como em Spiders (Kidsmoke)), ganham o espaço dos espectros melódicos, ao mesmo tempo em que convivem com as músicas de melodias e harmonias com resoluções bem definidas, como em Hummingbird. No próximo e penúltimo álbum, Sky Blue Sky, o Wilco inverte o jogo novamente e volta a mostrar uma faceta mais folk, porém distante dos primeiro álbuns da banda. Em Sky Blue Sky, Jeff Tweedy mostra-se mais maduro em relação à sua própria música, soa como a bonança após a tempestade dos últimos trabalhos. A entrada de Nels Cline na guitarra possibilitou algumas texturas bem diferentes e interessantes, o ótimo guitarrista se tornou um contrapeso que contribuiu muito com a sonoridade da banda. Em Sky Blue Sky a banda gravou usando pouquíssimos overdubs o que deu uma característica bem emocional e natural ao som.
Após os absurdos três últimos trabalhos, dois anos depois de Sky Blue Sky, chegou a hora de trabalho novo e ele chegou na forma de Wilco (The Album). O novo trabalho, já adianto, é inferior aos anteriores e sofre com a falta de coesão do Being There, porém mostra-se infinitamente mais maduro do que este. A verdade é que Wilco (The Album) parece ser um tributo à banda, nele está condensado de uma forma ou de outra, todas as características que tornaram a banda amada (ou odiada): as letras muito bem escritas (mesmo que em alguns momentos cafonas, como em You and I), os riffs que surgem descompromissados ganham nossa atenção, a voz característica e carismática de Tweedy e os detalhes que surgem a cada audição. Qualquer álbum do Wilco revela a cada apertar do play, algumas sonoridades diferentes, outros pontos de vista, outros toques e segredos, mostrando que a banda é muito esmerada em seus arranjos e detalhes. O problema do (The Album) mora na falta de decisão no rumo das músicas. O trabalho parece um apanhado de grandes músicas da carreira da banda, algo como uma Coleção Perfil do Wilco, o que tira a força conjunta das músicas, mesmo que estas, individualmente sejam maravilhosas. Para quem é fã de Wilco, o álbum novo, já chamado de álbum do camelo (já perceberam que o camelo forma um W?) é indispensável;para quem não conhece a banda direito é uma boa oportunidade para despertar um interesse pela carreira do Wilco. Eu só fico puto com uma coisa, porque será que eles fizeram esse apanhado de músicas (?) que vai desde Wilco (The Song) com sua pegada mais rock homenageando os fãs, até a fantástica Bull Black Nova, momento em que Nels Cline é exigido, passando por baladas como a linda Country Disappeared e You and I (até agora não entendi a participação da Feist), finalizando com Everlasting Everything, que não faz jus às outras músicas do álbum? Eu encarei isso como uma indefinição, mas talvez para a cabeça do Jeff Tweedy, Wilco (The Álbum), como o próprio nome tenta dizer, é “o” álbum que tenta sintetizar o sentido da banda. Concluam.






























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parabéns pela crítica, concordo com você, achei o album muito bom mas para quem conheceu o Wilco com Sky Blue Sky e descobriu os albúns anteriores o Wilco (the album) ficou um puco a dever.